CATÓLICO PODE DOAR ÓRGÃOS?

 


CATÓLICO PODE DOAR ÓRGÃOS? 

Pode o católico doar órgãos após morte natural?
Atuando no horizonte teológico da Igreja até Bento XVI a resposta é sim: o católico pode doar órgãos após a morte natural desde que algumas condições morais sejam respeitadas.

Fundamento doutrinal
A Igreja sempre ensinou que o corpo humano é dom de Deus e deve ser tratado com respeito tanto em vida quanto após a morte. Ao mesmo tempo reconhece que a caridade cristã pode estender se além da própria vida quando o dom do corpo serve para salvar outras vidas.
São João Paulo II afirmou que a doação de órgãos após a morte é um ato nobre e meritório de caridade quando realizada de modo ético. Bento XVI manteve integralmente esse ensinamento sublinhando que a dignidade da pessoa humana jamais pode ser violada.

Condições morais essenciais
Para que a doação seja moralmente lícita a teologia católica estabelece alguns pontos fundamentais:

* Morte verdadeira do doador
A retirada dos órgãos só pode ocorrer quando há certeza moral da morte do doador. A morte não pode ser provocada nem antecipada para obter órgãos Este ponto é gravíssimo

* Respeito ao corpo humano
Mesmo após a morte o corpo não é um objeto. Ele deve ser tratado com reverência pois foi templo do Espírito Santo e está destinado à ressurreição

* Intenção reta e caridade
A doação deve ser um dom gratuito nunca fruto de comércio coerção ou interesse econômico. A venda de órgãos é moralmente ilícita

* Consentimento
Deve haver consentimento explícito do próprio doador em vida ou ao menos consentimento legítimo da família conforme a justiça natural

Doação após morte natural
Quando a morte ocorre por causas naturais e esses critérios são respeitados não há impedimento moral algum. Pelo contrário: a doação pode ser vista como expressão concreta do mandamento do amor ao próximo.
Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos.

Ressurreição do corpo e esperança cristã
A doação de órgãos não contradiz a fé na ressurreição dos mortos. O corpo ressuscitado será obra do poder de Deus não uma simples recomposição biológica. A Igreja sempre ensinou isso com clareza.

Portanto segundo a teologia católica tradicional confirmada até Bento XVI
o católico pode doar órgãos após a morte natural
Esse gesto é lícito;
É moralmente bom;
Pode ser ato elevado de caridade cristã;
Desde que nunca viole a dignidade da pessoa humana nem a verdade sobre a morte.

Catecismo da Igreja Católica
CIC 2296
“A doação de órgãos após a morte é um ato nobre e meritório e deve ser incentivada como expressão de generosa solidariedade.”
(Fonte Catecismo da Igreja Católica edição típica latina 1997 tradução oficial CNBB)

CIC 2297
“É moralmente inadmissível provocar diretamente a mutilação ou a morte de um ser humano mesmo com o fim de retardar a morte de outras pessoas.”
(Esse parágrafo fundamenta a exigência de morte verdadeira do doador)

CIC 2300
“Os corpos dos defuntos devem ser tratados com respeito e caridade na fé e na esperança da ressurreição.”
(Fonte Catecismo da Igreja Católica)

São João Paulo II
Discurso ao XVIII Congresso Internacional da Sociedade de Transplantes
29 de agosto de 2000:
“A doação de órgãos é um testemunho de amor que vai além da morte.”

No mesmo discurso ele afirma também:
“A retirada de órgãos só é moralmente admissível depois que se verificou a morte do doador.”

Essas afirmações tornaram se referência direta na bioética católica contemporânea

Bento XVI
Discurso aos participantes do Congresso Internacional sobre transplantes
7 de novembro de 2008:
“A doação de órgãos expressa um gesto de amor que supera as fronteiras da própria vida.”

No mesmo pronunciamento Bento XVI recorda:
“Cada transplante tem como pressuposto fundamental uma decisão ética fundamental que consiste em respeitar a vida e a dignidade do doador.”

Esses textos mostram continuidade perfeita entre João Paulo II e Bento XVI sem ruptura doutrinal

Síntese magisterial 

À luz dessas citações oficiais pode se afirmar com segurança doutrinal:
A Igreja aprova a doação de órgãos após a morte natural;
A Igreja exige certeza moral da morte;
A Igreja rejeita qualquer instrumentalização do corpo;
A Igreja exalta a doação como ato de caridade cristã.
Nada disso contradiz a fé na ressurreição dos mortos conforme o próprio Catecismo ensina.

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