SERMÃO PARA O 1º DOMINGO DA QUARESMA: As Tentações de Cristo, a Miséria do Homem e a Prova Final

 


SERMÃO PARA O 1º DOMINGO DA QUARESMA
As Tentações de Cristo, a Miséria do Homem e a Prova Final do Remanescente

 
Amados irmãos e irmãs da Igreja fiel, pequeno Remanescente espalhado como brasas vivas sobre a terra, escutai com temor e tremor a Palavra do Senhor.
No Evangelho deste santo tempo quaresmal, contemplamos Nosso Senhor Jesus Cristo conduzido pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio. Não foi levado por fraqueza, mas por desígnio. Não para cair, mas para vencer. Não por si, mas por nós.
O deserto é figura da vida presente. E as tentações de Cristo são o espelho das misérias humanas — e também a profecia das tentações derradeiras que se abaterão sobre o mundo antes da manifestação do homem da iniquidade e da perseguição final.
Meditai, pois, cada tentação.

I – A PRIMEIRA TENTAÇÃO: O PÃO
O demônio aproxima-se e diz: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pão.”
Aqui está a primeira miséria do homem: a escravidão do corpo. A fome desordenada, o apego à matéria, o desejo de segurança terrena.
O homem caído troca Deus pelo pão. Troca a eternidade pelo conforto. Troca o Céu por um prato cheio.
Nosso Senhor responde: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.”
Ó geração atual, não vedes que esta tentação domina o mundo? Tudo gira em torno da economia, da comida, do dinheiro, da estabilidade material. E quando vier a Grande Tribulação, esta tentação se tornará açoite cruel.
Antes mesmo da manifestação pública do anticristo, haverá crises, escassez, colapso. O pão será moeda de submissão. E depois, na Grande Perseguição pós-marca da besta, ninguém poderá comprar nem vender sem se submeter ao sistema iníquo.
O demônio repetirá: “Transforma as pedras em pão. Submete-te. Recebe o sinal. Salva tua vida.”
Mas Cristo vos ensina: a vida não está no pão, mas na fidelidade.
Remanescente santo, que sois Igreja doméstica, aprendei isto: vossa força não está na abundância, mas na Palavra. Fazei a Comunhão Espiritual com fé ardente. Vivei da Palavra proclamada em vossas casas. A fome do corpo será leve diante da fome da alma traidora.
Melhor morrer de pé que viver ajoelhado diante da besta.

II – A SEGUNDA TENTAÇÃO: O MILAGRE ESPETACULAR
O demônio leva Jesus ao pináculo do Templo e diz: “Lança-te daqui abaixo.”
E aqui está a segunda miséria do homem: a soberba espiritual. O desejo de provar Deus. A necessidade de sinais extraordinários. A fé que exige espetáculo.
Quantos hoje querem milagres, visões, prodígios, e não querem cruz, penitência, conversão.
Cristo responde: “Não tentarás o Senhor teu Deus.”
Nos tempos finais, essa tentação crescerá como febre. Haverá falsos prodígios, sinais mentirosos, manifestações sedutoras. Muitos correrão atrás do extraordinário e perderão o essencial.
Quando vier o homem da iniquidade, ele seduzirá com aparente luz. E antes mesmo dele, já se prepara o terreno: espiritualidade sem cruz, religião sem penitência, fé sem obediência.
Remanescente fiel, não busqueis sinais. Buscai perseverança.
Não caiais na tentação de inventar novidades. Vivei da fé pura, da Confissão Espiritual sincera, do arrependimento profundo diante de Deus. O verdadeiro prodígio é a alma que permanece fiel no silêncio e na perseguição.

III – A TERCEIRA TENTAÇÃO: O PODER
O demônio mostra todos os reinos do mundo e diz: “Tudo isto te darei, se prostrado me adorares.”
E aqui está a terceira e maior miséria: a idolatria do poder.
O homem quer dominar, controlar, governar. Quer segurança política, influência, prestígio. E para isso, muitas vezes dobra os joelhos ao espírito do mundo.
Cristo responde com autoridade: “Ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele servirás.”
Esta será a tentação suprema da Grande Perseguição pós-marca: adorar o sistema para sobreviver. Aceitar a marca para ter paz. Curvar-se externamente e dizer: “É só um gesto exterior.”
Mas não há gesto neutro quando se trata de adoração.
Remanescente pequeno e escondido, lembrai-vos: o sacerdócio leigo que exerceis junto a Cristo é sacerdócio de sacrifício, não de poder. Vossas casas são altares invisíveis. Vossas mesas simples são lugar de oração. Vossa autoridade é a fidelidade.
Quando o mundo inteiro se prostrar, ficareis de pé. Quando todos disserem “Sim”, vós direis “Não serviremos” ao espírito da besta, “só serviremos” a Cristo Rei.

IV – O DESERTO DO REMANESCENTE
O Evangelho começa dizendo que Jesus foi conduzido ao deserto.
Também vós fostes conduzidos ao deserto. Sem templos acessíveis. Sem aplausos. Sem reconhecimento.
Mas não estais abandonados.
No deserto, Cristo estava só — e não estava só. O Pai estava com Ele.
Assim também vós. Fazei Confissão Espiritual com dor perfeita. Fazei Comunhão Espiritual com fé viva. Educai vossos filhos na doutrina pura. Rezai o Rosário. Guardai a sã doutrina. Não negocieis a verdade.
A Grande Tribulação provará os tíbios. A Grande Perseguição purificará os fiéis.
Mas ouvi isto com clareza: as tentações não aumentam apenas a miséria — revelam os santos.
Cristo venceu no deserto antes de vencer na Cruz.
E o Remanescente vencerá na perseguição antes da manifestação da glória.

Entendei que:

Quaresma é treino para a Tribulação.
Jejum é treino para a escassez.
Silêncio é treino para o abandono.
Fidelidade escondida é treino para a perseguição pública.
O mundo caminha para horas sombrias. Mas não temais.
Se permanecerdes firmes nas três batalhas — contra a carne, contra a soberba espiritual, contra a idolatria do poder — vencereis.
E quando o Filho do Homem vier, encontrará fé na terra. Pouca. Escondida. Perseguida. Mas ardente.
Que Ele a encontre em vós.
Convertei-vos hoje. Perseverai amanhã. Vencei até o fim.

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