São Tomás ou “Santo Tomás”? Quando o falso eruditismo começa a falar errado



Nos últimos anos espalhou-se em certos ambientes católicos um hábito linguístico estranho: chamar São Tomás de Aquino de “Santo Tomás”. A mudança parece pequena, mas revela um fenômeno bastante comum na linguagem religiosa contemporânea: o falso eruditismo. Trata-se daquela atitude de quem altera o modo tradicional de falar não por necessidade da língua, mas para parecer mais culto, mais teológico ou mais “sofisticado”.
O problema é que, muitas vezes, a tentativa de parecer erudito termina simplesmente em erro.

A regra clara do português
A língua portuguesa possui uma regra antiga e muito estável:
Usa-se São antes de nomes iniciados por consoante.
Usa-se Santo antes de nomes iniciados por vogal ou h.
Por isso dizemos naturalmente:
São Pedro
São Paulo
São Tomás
São Bento
E dizemos:
Santo Antônio
Santo Agostinho
Santo Inácio
Santo Hilário
Essa regra não é arbitrária. Ela nasceu da evolução histórica da palavra latina sanctus. No português, para facilitar a pronúncia, a forma santo sofreu contração diante de consoantes, transformando-se em são. A língua consolidou esse uso ao longo de séculos.
Assim, dentro da tradição linguística portuguesa, a forma correta é:
São Tomás de Aquino.

De onde veio o erro
A expressão “Santo Tomás” não nasceu no português. Ela vem principalmente de duas influências.
Primeiro, do espanhol. Na língua espanhola diz-se Santo Tomás de Aquino, porque o espanhol não possui a contração “são”. Quando textos espanhóis são traduzidos ou imitados sem cuidado, o erro entra no português.
Segundo, de traduções descuidadas ou da simples imitação de fórmulas estrangeiras em livros religiosos, vídeos ou apostilas.
Mas há também um terceiro motivo, mais sutil e mais preocupante: o desejo de parecer erudito. Algumas pessoas imaginam que dizer “Santo Tomás” soa mais solene, mais acadêmico ou mais teológico. E assim passam a repetir a forma errada como se fosse sinal de cultura.
Na verdade, ocorre exatamente o contrário.

O falso erudito
Existe um tipo humano bastante conhecido na história cultural: o falso erudito. É aquele que tenta demonstrar cultura não pelo conhecimento real, mas por pequenas afetações de linguagem.
Ele muda palavras consagradas.
Adota expressões estrangeiras desnecessárias.
E altera formas tradicionais para parecer mais refinado.
O resultado costuma ser apenas isto: trocar o correto pelo errado.
No caso de “Santo Tomás”, o falso erudito ainda produz um efeito desagradável ao ouvido. Surge a cacofonia “to-to” em “Santo Tomás”, que a forma “São Tomás” evita naturalmente.
Curiosamente, a própria evolução da língua portuguesa já havia resolvido esse problema séculos atrás.

A tradição católica em português
A tradição literária, teológica e devocional em português sempre utilizou a forma correta.
Os manuais de filosofia tomista.
Os livros de espiritualidade.
As traduções clássicas da teologia escolástica.
Todos falam de São Tomás de Aquino.
Não é por acaso. Trata-se simplesmente da forma normal da língua portuguesa.

Fidelidade também na linguagem
A Igreja sempre valorizou a tradição. Isso vale para a liturgia, para a doutrina e também para a linguagem.
A fé não precisa de modismos linguísticos para parecer profunda. Muito menos de afetações que apenas obscurecem aquilo que sempre foi claro.
Por isso, ao falar do grande Doutor Angélico, o fiel católico pode permanecer tranquilo na tradição da língua e da Igreja:
São Tomás de Aquino.
Falar corretamente não é pedantismo.
É simplesmente respeito à língua, à tradição e à clareza da verdade.

 

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